Corpo e Arte formam um eixo dos estudos que desenvolvemos no Ecoar. Mas esse eixo não se volta exclusivamente para a relação corpo-e-arte. Aqui, nossos corpos e nossas artes mediam nossa compreensão do mundo. Orientam nossas ações. São lugares, lócus e espaços, conhecimentos, saberes, epistemologias. Corpo e Arte mediam nossa experiência com a vida e são, em si, experiências. Somos. E nos questionamos insistentemente: Quem eu sou? Como penso? Como me ensinaram a pensar? O que preciso esquecer para pensar na Academia? E o que preciso resgatar para ser eu mesma pensando na academia? Aqui e agora, como posso/devo/quero pensar sobre aquilo que vejo, sinto e investigo? A partir daí, qual é o lugar da teoria?
Essas ideias podem compor um nexo a ser compreendido como uma radicalização do entendimento do que significa fazer pesquisa qualitativa crítica na Academia: enquanto a pesquisa qualitativa “clássica” busca compreender significados, experiências e contextos, a pesquisa qualitativa crítica vai além: ela busca revelar, problematizar e transformar as relações de poder, ideologia e opressão que estruturam essas experiências.
Assim, buscamos noutras cosmologias e na vida comum modos de ver o mundo, entendendo que olhamos a partir de quem somos e daquilo que configura nossos modos de ser, sentir, perceber, compreender, descrever e interpretar o mundo.
Há um compromisso político profundo na maneira como atuamos: a pesquisa não se limita a evidenciar desigualdades, mas se compromete com a transformação social.
Metodologias artísticas, participativas, extensivas envolvem uma coletividade de pessoas como co-pesquisadoras – inclusive teóricos e teóricas.