Entrevista com o Prof. Dr. Ricardo Uvinha – Presidente da CRInt EACH

Entrevista com o Prof. Dr. Ricardo Uvinha – Presidente da CRInt EACH

 

O professor Ricardo Uvinha atua no curso de Lazer e Turismo da EACH-USP, do qual também já foi coordenador. Ele concedeu uma entrevista para o PET-SI a fim de responder as nossas dúvidas sobre internacionalização, na medida do possível.

Prof. Dr. Ricardo Uvinha

PET-SI: Prof. Ricardo, nós temos vinte e seis perguntas, mas acreditamos que algumas serão respondidas junto com outras… enfim, pretendemos conduzir a entrevista de uma maneira dinâmica e informal.

Primeiramente gostaríamos de contextualizar o motivo pelo qual estamos executando esta atividade. Ela foi sugerida durante a reunião anual de planejamento do curso de Sistemas de Informação, da qual os alunos do PET participaram. A sugestão foi feita porque internacionalização e intercâmbio são objetos de inúmeras dúvidas que os alunos têm. Muitos deles vêm nos perguntar sobre os programas e oportunidades de intercâmbio, mas nós não temos muita informação além do que fica disponível nos editais. A partir da sugestão desta reunião, o grupo PET-SI se reuniu para discutir o que poderia ser feito para ajudar nestas dúvidas e então surgiu essa ideia da entrevista.

Para começar então, Prof. Ricardo, você pode falar um pouco sobre o seu papel dentro desse processo de internacionalização?

Prof. Ricardo: Tá bom. Primeiramente, boa tarde a todos vocês. Em especial um agradecimento à professora Sarajane. Conheço o trabalho dela e a liderança junto ao grupo do PET, e entendo que esse engajamento de vocês é fundamental. Fiquei muito contente com esse convite de vir falar pra vocês de uma área que, além do compromisso acadêmico e profissional, tenho uma certa paixão também. Eu gostaria então de contextualizar o meu papel aqui na EACH. Eu participo da escola desde o primeiro momento dela. Fiz meu concurso em novembro de 2004 e comecei minha atividade em fevereiro de 2005, como primeiro professor do curso de Lazer e Turismo. Na verdade éramos apenas quatro professores de Lazer e Turismo, assim como também era em outros cursos da EACH. Tudo começou muito pequeno e naquela época não havia qualquer perspectiva de internacionalização. O que havia era a experiência de cada docente com a internacionalização. Eu mesmo acabara de chegar da Austrália. Fiquei lá um semestre, num período de estagio pós-doutoral. Meu doutorado foi concluído aqui na USP em 2003 e fui pra Austrália pois é um país que se dedica muito à minha área (lazer, turismo e esportes) . Então, eu tinha essa relação com a internacionalização. Em meados de 2006, o professor Moacir Martucci, então ligado ao curso de Têxtil e Moda (que no momento era Tecnologia Têxtil e Indumentária), junto com outros professores, tiveram o interesse de formar uma comissão de relações internacionais – naquele momento essa comissão foi chamada de CRI e foi constituída num formato muito parecido com  o modelo que a Escola Politécnica tinha já há vários anos. A Escola Politécnica é, para nós, um exemplo no quesito internacionalização. Então, vimos a necessidade de fazer essa aproximação aos assuntos internacionais, principalmente por uma demanda que estava surgindo muito forte na graduação: as bolsas Santander. O banco Santander começou a investir bastante no aluno da USP e a graduação tinha que atribuir a função de gerenciamento deste assunto para alguém. Então, a CRI passou a ser assessora da Comissão de Graduação, principalmente no que dizia respeito a essas bolsas. Em vários momentos levei à reitoria a lista de alunos da EACH, isso em 2006-2007, para que se pudesse, eventualmente, ter esses alunos classificados para ir para países ibéricos. Na atual gestão se constituiu uma Vice-Reitoria de Relações Internacionais. Até então o que nos tínhamos era uma Comissão de Cooperação Internacional, a chamada CCInt-Central, que já tinha uma certa força, mas inegavelmente, uma vice-reitoria (VRERI), deu uma força política institucional expressiva ao assunto. A partir dessa VRERI se designou que toda unidade deveria ter uma CRInt, uma Comissão de Relações Internacionais. Nós já tínhamos uma CRInt, então só precisamos remodelá-la, e nessa, digamos assim, “formatada” que tivemos, foi criada a CRInt com a minha figura na presidência e alguns outros professores na comissão. Então, só pra apresentar a vocês, a CRInt é uma comissão assessora dentro da USP, e é importantíssimo que vocês entendam isso: ela não é uma comissão estatutária (as comissões estatutárias são a Comissão de Graduação, Comissão de Pesquisa, Comissão de Cultura e Extensão e Comissão de Pós-Graduação). A CRInt tem o peso de uma comissão assessora, ela ajuda o diretor e todas as comissões estatutárias no que diz respeito aos assuntos de internacionalização.

 

 

PET-SI: E essa comissão na EACH, hoje, conta com funcionários que trabalham nos assuntos de internacionalização sob uma “orquestração” da direção mais o papel do professor responsável por isso, certo?

Prof. Ricardo: É. O que nós temos hoje é o seguinte. Eu presido essa comissão como professor, e ela conta também com alguns outros professores: a professora Meire Cachione, a professora Nely Mello, a professora Regina Sanchez, professora Jane Marques e professora Júlia Baruque. Então, eu faço a liderança. Essa liderança é importante, principalmente, nos momentos como agora, da seleção para a bolsa de mobilidade estudantil que acabou de oferecer 52 vagas. Para esse tipo de trabalho é necessário montar todo um plantel para selecionar os alunos, analisar as demandas, etc. Mas, continuando a responder a pergunta … dois funcionários foram designados para cuidar da parte administrativa pra acontecer a CRInt, o Marcelo Lima e o Leandro.  Então se um aluno vai até lá perguntar “Ah, eu gostaria de ir pra China, o que tem a respeito da China”, esses funcionários trabalham na orientação do aluno, saber qual é área de interesse dele, o que ele espera da experiência, etc.

PET-SI: Uma das dúvidas que os alunos têm é em relação ao momento máximo para tentar um intercambio. Esse momento é contado pelo número de créditos, pela porcentagem de créditos que o aluno tem para cumprir. Para alguns editais o aluno tem que ter cursado no máximo oitenta por cento dos créditos. Mas se você vê as regras do programa federal, o “Ciência sem Fronteiras” pode ser até noventa por cento. Na USP é oitenta por cento. E o aluno que já passou do oitenta, ele consegue? Como é que funciona essa questão do momento máximo? Qual é a motivação pra ter esse momento máximo?

Prof. Ricardo: É uma pergunta pertinente, ela aparece bastante pra nós lá no escritório. A gente tem que tentar entender é que são diferentes editais. Dando dois exemplos aqui pra vocês, nós temos editais como o “Ciência sem Fronteiras” e o edital interno que acabou de ser celebrado na USP. São editais diferentes. No que eles são diferentes? Primeiro, o “Ciência sem Fronteiras” permite que o aluno tenha reprovação, algo que o edital que a USP acabou de celebrar não permite (este foi o primeiro edital próprio em toda a América do Sul, até então nenhuma universidade tinha feito um edital próprio financiando todos os gastos do aluno, passagem aérea, acomodação, seguro saúde). Então, o edital Ciências sem Fronteiras, permite que o aluno se recupere de reprovações. Nós, na CRInt, seguimos rigorosamente os editais que chegam para nós como unidade, para nós é uma segurança na hora dos recursos que acontecem. Por exemplo, se claramente o edital dizia “Não é permitida a reprovação”, por que a EACH iria abrir esta exceção para alunos da EACH? Sabíamos que quando esta exceção chegasse à reitoria seria denegada. Com relação ao tempo máximo, neste mesmo edital da USP, foi estipulado um tempo mínimo de vinte por cento dos créditos e máximo de oitenta por cento dos créditos, no entanto, neste edital da Universidade de São Paulo, nós vimos a necessidade não só de fazer valer o tempo mínimo e máximo e de classificar o aluno por conta da média dele no curso, mas nós vimos também a necessidade de realizar uma entrevista com o candidato. Esta entrevista, como designado internamente, deveria ser feita no idioma que o candidato estava propondo fazer seu intercambio. Então tivemos, por exemplo, uma aluna que pleiteando um intercâmbio para os Estados Unidos e outra que pleiteava intercâmbio para a Inglaterra, então fizemos a entrevista em inglês. Isto porque, minimamente, o aluno não só tem que apresentar um certificado de proficiência (por exemplo, TOEFL), mas também precisa saber se comunicar. Ele não está indo para a Inglaterra para aprender idiomas, ele está indo para a Inglaterra sabendo o idioma, porque a universidade de lá não vai tolerar este tipo de coisa. Durante as entrevistas nós percebemos que alguns alunos que estavam no limite dos oitenta por cento de tempo máximo de curso, ou que passariam um pouco, e percebemos que isso acontecia porque a expectativa de alguns alunos era de viajar já naquele semestre. Então, percebemos muitos alunos achavam que o processo funcionava assim: “dá o nome, manda para a reitoria, a reitoria aprova, compra a passagem e já está viajando no início do semestre”. Mas o processo não funciona assim. Eu sinto que a própria Universidade de São Paulo está aprendendo com estes editais, e nós tivemos o cuidado de realizar as entrevistas nos primeiros dias de agosto. Na época, essa opção da EACH de não mandar em julho a lista de classificação dos alunos por conta da média foi muito criticada. Mas isso foi feito por solicitação do diretor. Tivemos o cuidado de realizar as entrevistas nos primeiros dias de agosto e foi a melhor coisa que fizemos. Nós recebemos, posteriormente, o elogio da Vice Reitoria de Relações Internacionais, por termos tomado este cuidado. No entanto, quando passamos o início do intercâmbio do segundo semestre de 2012 para primeiro semestre de 2013, alguns alunos tiveram que refazer o plano de estudos. E outro assunto importante é que nem todas as universidades do mundo começam o semestre em agosto como a USP começa. Tudo isso tem que ser levado em consideração. Para esses alunos que passaram um pouco além dos oitenta por cento nós fizemos uma carta de justificativa para que a reitoria flexibilizasse isso, porque não era efetivamente culpa do aluno. Com relação ao edital do “Ciência Sem Fronteiras” nós percebemos que é um edital incrível no ponto de vista de oportunidades, mas por outro lado é um edital para o qual ainda estamos enfrentando problemas. Seja do CNPq, seja da CAPES. A gente percebe que o próprio governo federal colocou uma série de bolsas disponíveis mas, nos primeiros momentos, faltou estrutura para, por exemplo, atender o aluno que ligava para Brasília em busca de informações. Até para nós, muitas vezes, era complicado. O exemplo da proficiência é um exemplo muito importante. Veja, não cabe a mim dar um atestado de proficiência em língua inglesa à um aluno, pois não sou formado em Letras e a EACH não é um centro de línguas. A gente não pode atestar proficiência. O que nós podemos fazer é dar uma carta de apoio dizendo que foi feita uma entrevista no idioma da universidade de destino e que nós percebemos uma certa fluência do aluno, mas isso em nenhum momento garante a fluência. E a gente percebe, muitas vezes, uma expectativa do edital federal de que a universidade de origem ateste essa proficiência. Com relação ao tempo máximo, a gente percebe que o “Ciências Sem Fronteiras”, em alguns momentos, para algumas universidades, permite que esses oitenta por cento sejam ultrapassados.

PET-SI: Quais são as motivações para o governo federal lançar editais de intercambio, como o “Ciências Sem Fronteiras”? Espera-se que o aluno intercambista traga algum retorno da viagem?

Prof. Ricardo: O que se percebe é uma política do governo federal que vai ao encontro do que outros países como a China vêm fazendo:  apoiar seus pesquisadores, mas contando que eles voltem também. Não adianta ter uma evasão de alunos qualificados. Formam-se esses alunos e eles vão embora e não trazem um retorno? É um orgulho ter um aluno em uma universidade norte-americana, em uma equipe australiana, em uma equipe britânica, mas seria muito importante que esse aluno voltasse para cá e colaborasse, devolvesse isso para a sociedade brasileira, porque é um investimento da sociedade brasileira na formação deste pesquisador. Eu sinto, que a própria USP pensa desta forma também. A própria USP exige esta contrapartida, pois essa é uma exigência também do edital da Universidade de São Paulo; que o aluno volte e que ele socialize suas experiências com os demais alunos por dois motivos: um, para ele estimular outros alunos dizendo “Vale a pena”, “Foi bacana”, “Não reprove”,… e dois, além de incentivar, é interessante que ele mostre também as dificuldades que ele enfrentou; porque o que eu percebi nas entrevistas que eu fiz, é que quando se fala de internacionalização vem um mundo de encantamento … “Vou morar em Barcelona”, “Nossa, vou morar em Madri”, “Eu vou para Lisboa” …  mas e as dificuldades? Grande parte dos nossos convênios estabelecidos é para a língua portuguesa, no caso Portugal. E ai? Morar em Portugal, mesmo com a facilidade do idioma, não significa facilidades, são culturas diferentes, climas diferentes, distância da família. Existe uma série de intempéries que podem se impôr neste caminho e tudo isso tem que ser colocado –  esta contrapartida é fundamental.  Ainda é interessante lembrar dentro desta discussão a existência de um edital que a USP oferece,  o ProInt. O que é o ProInt? É um edital da Comissão de Graduação que destina uma verba para as unidades, e cada uma gerencia a sua. A tarefa da unidade é organizar esta verba, ver as demandas e tentar contemplá-las da melhor maneira possível … na medida do possível. E como tem funcionado o ProInt dentro da EACH? O aluno pede o ProInt para participar de um evento no exterior. A princípio o ProInt não banca o aluno de intercâmbio por um semestre como faz este edital que eu acabei de mencionar da USP, mas ele ajuda o aluno com, por exemplo, a passagem aérea, que não é pouco para muitos casos; ou paga a inscrição no evento, ou paga a acomodação do aluno. Vai depender muito do que o próprio aluno pede. Sabemos que nem sempre a carta de aceite para participação no evento está na mão, vocês (PET) sabem que às vezes um evento demora para mandar a carta de aceite, mas uma vez esta carta chegando, ou seja, se o aluno já pediu, a demanda está previamente atendida, veio a carta de aceite …. Maravilha!! E o que a unidade vai poder financiar? Têm semestres que tem uma demanda enorme, tem semestres que tem uma demanda menor. O ProInt até passa de um semestre para o outro, como verba residual. Então a CG vai gerenciando esta verba no que diz respeito à cobertura e o aluno é obrigado, por edital, a devolver isto para a EACH. Como é que ele devolve isso para a EACH? A CG estuda uma forma, ou na semana de recepção dos calouros com uma palestra proferida pelo aluno contemplado, ou em algum momento na semana de estudos de SI ou de qualquer outro curso, enfim, vai se achar um momento para o aluno devolver isso. Por experiência sabemos que os alunos que vão e voltam, e que tiveram esta possibilidade de fazer esta oferta da contrapartida, gostam, pois se sentem valorizados, porque afinal de contas é bacana você contar a tua experiência, a experiência que você teve lá fora.

Então … é assim, é a questão do princípio e da motivação que está por trás de tudo isso. O aluno vai, mas ele volta. Volta melhor, volta com mais conhecimento, volta com bagagem internacional, volta com possibilidade de conhecer outras culturas, de intercambiar seu conhecimento com pessoas que estudam algo muito semelhante que ele aqui na EACH, porém lá fora, e voltam com esse conhecimento acumulado que é a expectativa do “Ciência Sem Fronteiras”, que é a expectativa do edital ProInt, que é a expectativa do edital de Internacionalização.

E não só na graduação, mas também na pós-graduação. Não se esqueçam que o “Ciência sem Fronteiras” também, recentemente, tem aberto suas portas pro mestrado e doutoramento. É óbvio que eu não posso falar por esse programa, pois não respondo por ele. O que nós fazemos aqui é atender o programa, porque ele está aberto para os alunos da EACH e nós temos a obrigação, o compromisso, de estarmos atentos a todos os editais: “Ciência sem Fronteiras”, a UGM, o Erasmus e todos os outros que também estão disponíveis.

PET-SI: O Erasmus está disponível pra brasileiros?

Prof. Ricardo: Para a pós-graduação. A gente está pensando pra graduação também.

PET-SI: Eu achei que o Erasmus fosse um programa só europeu.

Prof. Ricardo: O professor André Martins tentou com o auxílio da CRInt. Eles aceitaram a Universidade de São Paulo, mas não foi pra frente. Eram três universidades envolvidas, mas houve algum problema no processo. Parece-me que está bem avançado para o ano que vem, para o mestrado em Sistemas Complexos. E Têxtil e Moda também está tentando fazer Erasmus.

PET-SI: Legal. Já que você falou do ProInt … nós tínhamos uma pergunta aqui sobre o ProInt. Então, só pra esclarecer. O ProInt abre o edital num semestre para atender o semestre seguinte, não é?

Prof. Ricardo: É.

PET-SI: Ele abriu agora para professor, e imaginamos que o do aluno esteja pra sair em algum momento. Então os alunos vão pedir, vão fazer a proposta, vão fazer o pedido esse semestre, pensando na saída pro exterior pra alguma atividade no primeiro semestre do próximo ano. Pra nós de Sistemas de Informação, parece existir pouca demanda sendo mandada ao ProInt, mas a demanda que tem sido enviada é basicamente pro aluno participar de algum evento científico: simpósio ou uma conferência científica. A dúvida é, nós poderíamos, por exemplo, solicitar uma visita de curto tempo, sem necessariamente estar ligada à participação num evento, mas sim a um grupo de pesquisa específico de alguma universidade? Isso é possível?

Prof. Ricardo: Olha, eu vou responder pelo o que eu conheço da CG, mas lembrando que a gente (CRInt) não responde pelo ProInt. O ProInt quem responde é a Comissão de Graduação. Em nenhum momento a CRInt aprecia nada do ProInt, é tudo via coordenação de curso, COC, e a CG. Quem apresenta a demanda do curso é o coordenador, no caso é a Patrícia de SI. Então, ela leva a demanda, a demanda é apresentada pra todos os membros e os membros vão acolher ou não. Até onde eu conheço do edital ProInt, isso (que vocês perguntaram) é possível sim, ou seja, o edital ProInt alunos não contempla só eventos científicos, ele também contempla visita à grupos de pesquisa no exterior. No meu entendimento, seria muito elementar ficar só em congresso científico. Então, isso seria muito importante. E aí eu estou pensando que, a partir do próprio PET, por favor me corrijam se eu estiver errado, mas o PET é uma iniciativa quem vem da Pró-reitoria de Graduação; então, não faria o menor sentido um edital que é aberto pela Pró-reitoria de Graduação, com um grupo que foi fomentado a partir da Pró-reitoria de Graduação, não possa sincronizar e usar uma verba disponibilizada pela mesma pró-reitoria. Nesse caso, eu acho que vocês deveriam tentar. É uma demanda mais do que legítima. Agora, eu coloco pra vocês de novo, tem certo valor na mesa, a CG analisa esse valor. Então, não achem que todos vocês vão viajar, com passagem aérea, com hospedagem, não vão. Isso não acontece. Fazendo só um paralelo, é também é responsabilidade da COC da CG, o ProEve. O ProEve como vocês sabem, é uma verba que também é enviada pela Pró-reitoria de Graduação para os cursos. Essa verba apoia eventos nacionais. Os professores costumam usar o ProEve pra ajudar na semana de estudo e os alunos costumam usar o ProEve para apoiar sua participação nos eventos científicos no Brasil. O ProInt alunos costuma ser usado pelos alunos pra apoiar os eventos científicos no exterior e o ProInt docentes costuma ser utilizado por professores pra apoiar tanto a ida a congresso científico como a visita a grupos de pesquisa internacionais. Ora, se os professores podem por que os alunos não podem? Então, a verba também é possível nesse sentido. Isso eu tenho praticamente certeza. Valeria a pena olhar o edital desse ano e ver se tem algum fator limitante. Eu duvido que vocês encontrem qualquer resistência nesse sentido.

 

Profa. Sara (tutora PET-SI): Às vezes eu fico pensando, se pra um aluno de graduação, um aluno de um PET, ou um aluno que não esteja ligado ao PET mas que tenha outro tipo de atividade extracurricular dentro de uma Universidade, não seria interessante participar, por exemplo, de uma iniciativa europeia, asiática, parecida com aquela experiência que ele vive no Brasil. Eu gostaria de receber um aluno do exterior pra trabalhar dentro do grupo PET, aqui, dentro da atividade do grupo. Eu acho que isso seria muito interessante se isso fosse possível. E até coloco para os alunos que estas oportunidades existem e estão abertas. É importante também que todos os alunos saibam que eles não devem só ficar esperando eu ou outro professor apresentar uma oportunidade, porque a gente não tem essa capacidade de ser tão versátil e conhecer tudo. Os alunos também precisam encontrar e trazer as oportunidades pra gente organizar.

Prof. Ricardo: Sara, se você me permite. Isso é uma das coisas que… eu investiguei um pouco sobre os grupos PET, pra ver como é que é essa interface da internacionalização. Eu confesso que não encontrei nada. É uma coisa pra se explorar mesmo. Porque assim, eu estou tentando achar uma expressão melhor, mas é a expressão que me vem agora, vocês são um grupo muito especial pra graduação, porque não é fácil, não é simples ser contemplado com um grupo PET, um grupo que … enfim, é considerado da unidade, é um grupo especial, é um grupo que está envolvido numa série de questões. E eu acho que vocês têm que, primeiro, se valorizar com relação a isso. Segundo, vocês podem exigir coisas que outros grupos não podem. Então, até onde vocês podem, como grupo PET, avançar nessa questão da internacionalização? Eu digo pra vocês o seguinte. Eu venho participando de inúmeras reuniões temáticas à internacionalização e sinto a Universidade de São Paulo absolutamente simpática a demandas que correspondem à internacionalização. Absolutamente simpática. Não sei até que ponto vocês têm frequentado o site da CCInt da Universidade de São Paulo. Mas, enfim, têm muitas coisas abertas, muitos editais abertos. Teria que buscar. Eu me comprometo em buscar junto com vocês. Ou seja, buscar se grupos similares, PETs de outras unidades da Universidade de São Paulo, se eles já desfrutam de algo ligado a internacionalização que não necessariamente espera o edital ProInt. Então é uma das coisas que a gente poderia buscar como ação propositiva causada por essa reunião, por exemplo.

Profa. Sara (tutora PET-SI): Aproveitando esse gancho … eu acho que especificamente pra internacionalização, não existe nenhum tipo de programa estabelecido na USP para os grupos PET, mas o programa PET tem dentro da USP uma verba da Pró-reitoria de Graduação. Aliás, eu diria que a USP deve ser uma das poucas que destina verba própria para o programa PET. Também tem algo parecido na Unesp, que parecer ter um programa próprio que banca grupos PET. Nós somos bancados pelo Ministério da Educação. A Unesp tem os grupos que ela banca também. Mas em relação à verba da Pró-Reitoria, o que precisa e de projetos. O grupo precisa submeter um projeto para que seja analisado, para que a verba seja concedida. Então eu acho que sim, que não tem nada que seja específico, até onde eu saiba, para internacionalização, mas a gente pode propor, porque a Universidade de São Paulo tem condições de bancar. Só que tem que propor de maneira fundamentada, motivar e oferecer contrapartida. E não simplesmente, como você falou, “quero ir morar um mês, ficar um mês na Universidade da Califórnia”.

Prof. Ricardo: Ah, eu também quero. (risos) Vamos embora! :-)

Átila (petiano): Então só voltando à questão que você tinha comentado sobre as dificuldades no exterior. Nós estávamos falando sobre as dificuldades e o que o aluno passa lá fora. Existe algum acompanhamento em relação a isso? O que é feito pra ajudar o aluno a enfrentar as dificuldades?

Prof. Ricardo: Essa pergunta é importante dentro dos convênios, porque não se trata só de enviar o aluno pro exterior, tem que saber pra onde vai esse aluno. Nesse sentido, existe um acordo formal da unidade de origem com a unidade de destino. Esse acordo formal, feito em contrato, prevê obrigatoriamente que a universidade que aceitar esse aluno lá fora é responsável por acompanhar esse aluno. Da mesma forma que quando nós recebemos alunos aqui, nós somos responsáveis por esses alunos também. Essa via de mão dupla é importantíssima. Como esse contrato é feito? Vamos pegar o caso da EACH.  Nós temos até o momento 21 convênios formalmente estabelecidos. Tem alguns convênios que estão em trâmite, pelo menos uns quatro. Então, nós vamos chegar, muito provavelmente, a 25 convênios até o final do ano, formalmente estabelecidos. Como que é formalmente estabelecido? Existe um modelo mundial de convênio que se celebra entre partes e nesse modelo mundial de convênio, a universidade de lá e a universidade daqui tem que obrigatoriamente apontar um professor que seja o responsável por esse convênio, aqui e lá. E esse responsável pelo convênio aqui, e esse responsável pelo convênio lá, vão ser, de alguma maneira, uma espécie de tutor desse aluno, enquanto ele estiver na universidade. Geralmente são abertas duas vagas na universidade daqui e na universidade de lá. O aluno vai pra lá cumprir um semestre, por exemplo. Dentro dessa escala de trabalho, dentro dessas dificuldades e tudo mais, cabe à universidade de destino garantir condições para o nosso aluno realizar suas atividades lá. Mas ninguém vai ficar passando a mão na cabeça, Muito provavelmente vai ficar acompanhando esse aluno e vendo as possíveis dificuldades. Uma das coisas que a USP … não sei se vocês pararam para pensar, mas praticamente qualquer universidade do mundo cobra tuition fees, ou seja, mensalidade, a USP não cobra. Então, como que as universidades têm feito? Acho que essa é uma das coisas importantes para colocar para vocês, já extrapolando a pergunta. Por exemplo, a University of Northern Iowa é uma universidade na área de educação física, esportes, megaeventos esportivos. Essa é “A” universidade nos Estados Unidos nessa área. Uma das mais tradicionais e que vem trabalhando com isso há muito tempo. Enfim, eles vão receber um aluno nosso agora. Eles cobram, e não é barata uma mensalidade nessa universidade. Só que o nosso aluno USP não vai pagar os tuition fees lá, ele não paga a mensalidade. Então, quem paga por ele? O aluno da University of Northern Iowa, que virá pra cá, para a USP. Ele vem pra cá, mas ele continua pagando a mensalidade dele lá, como se ele fosse um aluno da University of Northern Iowa, e é. Só que ele vem e a USP não vai oferecer nenhuma cobrança de tuition fees para esse aluno. Então foi a forma que a gente encontrou, seja com a Inglaterra, seja com a China, seja com Estados Unidos (estou dando exemplo de convênios celebrados aqui), para garantir que não se cobrasse do aluno, com raríssimas exceções, uma ou outra instituição cobra uma taxa extra e tudo mais. Isso também é previsto no edital. Mas a grande parte não tem essa cobrança para o aluno da USP lá fora, isso ajuda demais. E eu poderia dizer que é uma das poucas universidades no mundo que quando vai (para o intercâmbio) não paga o tuition fees. Por que toda universidade que tem convênio com a Austrália, EUA, Inglaterra … todas pagam o tuition fees como International Student, e o aluno da USP não paga, por conta dessa contrapartida que a USP dá. Então, tudo isso tem que estar no contrato, tem que estar previsto lá, regimentalmente, juridicamente. Se eles, simplesmente, quiserem cobrar tuition fees dos nossos alunos … quebrou o contrato. Então, a parte vai ter que responder por que que quebrou esse contrato. Então, é fundamental, falando de internacionalização, que vocês entendam isso. Lá na CRInt a gente recebe muita demanda “ah, eu quero ir pra Stanford.” Tudo bem, a EACH tem convênio formalmente celebrado para Stanford? Não tem. Alguma unidade da USP tem convênio celebrado com a Stanford? Onde está a resposta? Isso é fundamental que vocês saibam: no sistema Mundus. Assim como existe o Jupiter da graduação, existe o Mundus da internacionalização. Facilmente, você vai lá: “países que a USP tem convênio celebrado”. Entrando em Estados Unidos, a Stanford está lá. Alguma unidade, não necessariamente uma, duas, três, pode ser, tem convênio com Stanford. Se a EACH não tem e, vamos supor a POLI tem, nós temos que ver se na cota para aquele semestre a POLI não está usando as duas vagas para ir para Stanford, se não está, é uma coisa trivial a POLI aceitar o aluno da EACH, para que ele entre como aluno da EACH usando a cota da POLI. Isso é possível acontecer. Ou a própria EACH celebra o convênio com Stanford. Nada impede que a EACH seja mais uma unidade. No Mundus vocês vão encontrar certas instituições que tem quatro, cinco, seis unidades conveniadas. Mas com temas diferentes. Muito provavelmente, não faria sentido se a EFEE, que é de Educação Física e Esportes já têm um convênio na área com uma universidade, e a EACH propor o mesmo convênio com Ciências da Atividade Física, a não ser que haja uma demanda muito forte, aí se justifica. Então, tudo isso tem a ver com a qualidade de recebimento do aluno lá fora, tudo previsto em contrato. E nós da CRInt, temos o compromisso, o dever, a obrigação de assessorar os professores. Geralmente nós recebemos as missões que vêm pra cá e, vocês devem imaginar que a USP é a “bola da vez”, todo mundo está querendo fazer convênio com os emergentes. “Qual universidade?” USP, está no ranking QS, Times, Shanghai, Webometrics, todos os rankings das 200 melhores … a USP está lá. Então, essa visibilidade acaba dando força para USP, para chamar essas delegações, que vêm pra cá, com o intuito de tentar fechar um convênio com a USP e suas unidades.

Gabriela (petiana): Você falou que as universidades tem uma cota de duas vagas, isso é fora do edital, certo? Eu não sei… antes eu via vários editais da USP dizendo que seria pago só a passagem e dizendo “tal universidade tem tantas vagas para tais cursos”. Eu fiquei na dúvida se essas duas vagas entram aí. Por exemplo, se abriram duas vagas para Sistemas de Informação para ir para Inglaterra, é porque dois alunos vem da Inglaterra pra cá?

Prof. Ricardo: Então, sua pergunta é importantíssima também e gera algumas respostas. Primeiro, já respondendo diretamente o que você perguntou, não necessariamente vem dois alunos pra cá quando vão dois pra lá, e aí, há um problema que nós temos que encarar, eu digo nós Universidade de São Paulo. Nós temos aula em português, e a gente fica com essa história “eles que aprendam português, quando vamos para a Inglaterra não temos que aprender inglês?” tá, só que o inglês é a língua universal, academicamente, é a língua universal. Se você vai para a China, você não vai ter aula de mandarim, não vai ter aula em mandarim, vai ter aula em inglês. Você vai para a Tailândia, você vai ter aula em inglês. Malásia, aula em inglês. Você não vai ter aulas em malaio, você não vai ter aulas em tailandês. Por que é que o Brasil tem que dar aula em português? Então a gente tem que resolver essa contrapartida. Isso é uma das coisas com a qual nós temos “quebrado muito a cabeça” na nossa CRInt. Vínhamos fazendo convênios com Espanha e Portugal … os espanhóis estão conseguindo acompanhar quando a gente dá aula em português, mas é difícil, muito difícil. Então a gente vai ter que agora ser poliglota? Vou ter que dar aula em espanhol,  mandarim? Não, não é isso. Mas nós temos que criar condições objetivas para que o aluno de fora, na contrapartida, tenha aula no idioma inglês. Uma das saídas possíveis que nós estamos estudando, isso, muito provavelmente vai acontecer no final de 2013/início de 2014, pois é preciso estrutura para isso, é nós minimamente montarmos os cursos de verão. Você tem um curso de verão em janeiro e fevereiro e você tem que encontrar professores disponíveis para fazê-lo. Eu já consegui encontrar professores que topariam fazê-lo. E nós montaríamos cursos de verão em inglês, obrigatoriamente, para absorver esses alunos e tentar equacionar, junto a Pró-Reitoria de Graduação, para que isso valha como crédito para esses alunos quando eles voltarem para seus países de origem. Porque vocês devem imaginar que hoje, dando aula em janeiro e fevereiro, isso não valeria como créditos, teria que celebrar isso. Por isso que não é tão simples. Aí falaram: “põe perto do carnaval, aí o cara já fica no carnaval brasileiro.” Mas não é simples assim, tem toda a questão dos créditos, como é que vai fazer isso, como vai convalidar lá. E isso é não é uma “ideia brilhante da CRInt da EACH”. Isso já vem sendo feito lá fora, nós estamos copiando o bom exemplo. Outros países que não falam inglês estão fazendo a mesma coisa como uma saída, uma alternativa para esses alunos, quando a aula não é, necessariamente, em inglês. Nesse sentido, não necessariamente, a gente vai receber dois alunos pra cá. Mas, como eu estou mandando um aluno para Northern IOWA agora, eles estão cobrando também que a gente receba um aluno aqui. E tem um outro porém, a USP ensina português para estrangeiros,  não é verdade? Quem faz isso? É a FFLCH, a partir do seu centro de línguas. O problema é que, com toda essa lógica da internacionalização cada vez mais crescendo na Universidade de São Paulo, a FFLCH tem que equacionar esta demanda. Porque tem muita gente querendo aprender português, e, não sei se vocês pararam para pensar, não é fácil aprender português, é muito difícil! Não se aprende português de uma hora para a outra. E aí, como é que faz? Como é que recebe esse aluno? “Ah, abre um centro de línguas na EACH”. Não é tão simples, também. Muito tem se discutido, será que a gente consegue, no futuro, abrir um centro de línguas? Eu sou um dos professores que defende veementemente isso porque eu acho que a gente tem condições materiais de abrir um centro de línguas na EACH para absorver esses alunos. Isso é uma coisa que eu queria relatar pra vocês do grupo PET, que está sendo conversado, em estágio inicial, de abrir um centro de línguas aqui também.

Gabriela (Petiana): Essas duas vagas são dentro de edital ou fora? Se dá quando o aluno manifesta o interesse, é fluxo contínuo?

Prof. Ricardo: Isso. É fluxo contínuo. Obrigado e desculpa se isso não ficou claro. É que, pela conveniência desse edital que a USP acabou de lançar, a EACH ganhou, por direito, 52 vagas. A gente está batalhando para que seja um pouco mais, estamos mandando 67 alunos classificados. Sempre na esperança de uma unidade desistir, então a EACH entra e ganha mais. Mas foi conveniente esse edital, pois os editais da EACH já estavam abertos. Nós, simplesmente, pegamos o edital da EACH e sincronizamos com esse edital internacional que a gente tinha até então. Agora, isso é fluxo contínuo, nem sempre esse edital da USP vai estar aberto. Tomara que aconteça todo semestre, mas a gente não pode garantir isso. Vou dar um exemplo concreto para você, a Universidade de Girona tem acordo de cooperação com a EACH. Girona poderia ter aberto para todas as áreas, inclusive SI. Mas Girona é expert na Espanha para a área de turismo cultural, eles são fortíssimos nisso. Girona está bem próxima de Barcelona, então eles servem Barcelona com esse expertise. Então, eles só queriam alunos de Lazer e Turismo, eles não queriam discutir com nenhum outro aluno. A gente fez um edital fechado para Lazer e Turismo. E esse edital já vem acontecendo. Alunos de LZT já foram para Girona bancando as suas próprias despesas. E eles recorriam ao edital ProInt pra financiar uma ou outra coisa, mas sim, era muito custoso pro aluno… Não é simples assim: “vou pra Espanha”. Há custo nisso, gastos. Então, vi isso com muito bons olhos. Que esse edital possa, cada vez mais, estimular os alunos dentro dos convênios que já estão formalmente estabelecidos. Agora, tem convênios que estão completamente abertos. O Instituto Politécnico de Coimbra, por exemplo, abre para todas as áreas, inclusive para Sistemas de Informação. A UTL, que é a Técnica de Lisboa, todas as áreas, inclusive Sistemas de Informação. Cabe a vocês apreciar se vale a pena ir para Lisboa para trocar figurinhas com alguém de Informação. Lisboa é uma referência na área de Sistemas de Informação? Quem tem que dizer isso? Não somos nós, são vocês. Vocês têm que botar na mesa e falar: os convênios da EACH na área de Sistemas de Informação atendem às nossas demandas e às nossas expectativas? Se sim, beleza. Se não, dois caminhos são possíveis. Um deles é o curso de Sistemas de Informação propor uma universidade top no mundo que vale a pena a gente fazer o convênio. E então a CRInt vai assessorar o curso de Sistemas de Informação com essa universidade. Vai ser preciso ter uma conversa com eles. Quem sabe eles mandam uma delegação pra cá, ou uma delegação da EACH vai pra lá, e se, por exemplo, a professora Sarajane for seus gastos podem ser bancados pela CCInt central, visto que interessa para a CCInt central que um professor estimule um convênio com uma boa universidade. Claro que ela teria que fazer relatório, justificativa, tudo mais – o que não seria uma grande dificuldade. O caminho inverso também ocorre, a USP paga os custos do professor visitante que vir pra cá pra fechar esse convênio. Isso tudo é a sede da Universidade de São Paulo de fechar com universidades top. O outro caminho é ver se alguma unidade da USP, como eu já disse, possui convênio com essa instituição. Um alerta importante: a USP agora está não só querendo universidades pelo mundo.  Ela quer, preferencialmente, as que estão nas 300 primeiras colocações dos rankings principais. Logo, não é qualquer universidade que interessaria. Você tem que chegar com uma universidade que, de preferência, esteja entre os primeiros do ranking. Se não, deve-se justificar que determinada universidade é referência em sua área, mas não consegue obter o mesmo destaque em outras áreas e, por isso, não está na lista dos 300. Por falar nisso, qual universidade é referência na área de SI?

Profa. Sara (tutora PET-SI): Acredito que as melhores são as universidades americanas, as alemãs também… Agora a pós de Sistemas de Informação tem uma missão e vai para a Alemanha, a Alemanha é muito forte.

Sara (tutora PET-SI): De qualquer forma, vale ressaltar que ser um destaque na área pesquisa é muito importante, mas isso não significa que estas universidades com menos destaque não sejam interessantes para a formação do aluno. Evidente que deve haver critérios. Mas cada caso deve ser estudado. O perfil do aluno deve ser considerado nesta escolha. Às vezes o aluno tem um perfil mais relacionado com a pesquisa acadêmica, científica, mas ele tem também um espírito de empreendedorismo, por exemplo. Visto isso a universidade pode não ter essa força na área de Computação, mas ela tem uma política específica, especial, em uma outra área, que torna a experiência válida.

PET-SI: Ainda neste tópico caso uma unidade específica não tenha um convênio com uma universidade, por exemplo, MIT, mas outra unidade tenha. Caso não exista nenhum edital aberto como se deve proceder?

Prof. Ricardo: Vamos supor que o IME tenha um convênio com o MIT. Vale a questão dasvagas, que eu acabei de dizer. Imagine que existem duas vagas disponíveis. Será que o IME não vai usar estas duas vagas? Será que nós sempre teremos que depender do IME para fazer esse convênio com o MIT? Não. A EACH pode ter a mesma qualidade que o IME. Então por que a EACH não abre um convênio formalmente estabelecido com o MIT? Será que o MIT vai aceitar esse convênio com a EACH? Eu acredito que sim, só que tem que ter o contato lá. Esse contato é geralmente feito pelo professor da EACH com o professor da MIT. Assim esse professor do MIT, que muito provavelmente tem uma Comissão de Relações Internacionais, assim como tem aqui, vai realizar um diálogo. Portanto o convênio não é entre a USP e o MIT, e sim a unidade da USP com a unidade do MIT, mas tem que se analisar como que é feito esse convênio com eles. Por isso devem ser ousados, arrojados, não importa se é MIT, Oxford, Cambridge, tem que ser persistente. Será que temos que firmar convênios sempre com universidade que estão em posições baixas no ranking? Porque tem que ser em Portugal ou na Espanha?  Porque é fácil falar espanhol ou português? Não. Tem que ser arrojado. É isso o que temos estimulado dentro da EACH. Isso depende muito dos professores. Vou me permitir dar um exemplo. O professor Sílvio de Marketing, é um japonês, acabou de chegar da Tailândia. “um professor foi pra Tailândia na área de Marketing?”. Ele mostrou que lá na Tailândia tem uma universidade, Thai Commerce Chamber of Thailand, que é a muito boa da área dele. Ele foi pra lá apoiado pela CCInt, e está fazendo esse caminho. Voltou muito satisfeito! Eles aceitaram, e a gente vai fechar convênio com eles, e caso encerrado. Quem vai ser beneficiado? Os alunos de Marketing. Será que caberia para Sistemas de Informação? Talvez não, porque é muito específico para a área de Marketing. Não é pensar de forma unilateral, se tem alguma universidade que pode fazer aberto, maravilha. Mas me parece, no caso, que MIT é muito mais ligado a Sistemas de Informação do que a Lazer e Turismo, por exemplo. Não teria muita lógica, muita relação. E daí? Faça com Sistemas de Informação. E fim de papo.

Profa. Sara (tutora PET-SI): Você tem experiência do tempo que leva uma negociação dessas para esses convênios?

Prof. Ricardo: Era muito demorado. Por que é que era demorado? Porque tinha que passar pela assinatura do reitor obrigatoriamente. Então vocês imaginem o trâmite disso antes. Com a abertura da Vice-Reitoria de Relações Internacionais, isso foi acelerado demais. Baseando-se na experiência que a gente tem, demoram uns três meses para assinar o convênio. Então isso permite, com muita esperança, você perspectivar uma ida já no semestre seguinte. Isso era praticamente inviável, demorava um ano pra fechar um convênio. Não mais. Aliás, isso é uma das coisas em que a Universidade de São Paulo perdia muito, porque as universidades de fora ficavam impacientes e intolerantes com essa demora da USP. A gente tem percebido que algumas universidades são muito rápidas e outras são muito lentas. A gente tem uma aluna do curso de Obstetrícia da EACH indo para a City University of London, que é uma referência na área de saúde materna. A EACH não tinha um convênio com essa University of London, mas está estabelecendo a partir de agora. Uma professora chamada Christine McCourt veio para a EACH, se reuniu comigo, com professores de Obstetrícia, e fechamos o convênio. Então a partir de agora vai ser fechado com a EACH, só que a City University of London já tinha convênio com outra unidade da USP, que era de Enfermagem, se não me engano. Mas a gente decidiu fazer via EACH para aproveitar os alunos de Obstetrícia, que a gente terá demanda.

Beatriz (petiana): E se algum dos alunos tem uma ideia de universidade, ele pode solicitar um convênio? Ou tem que ser através de um professor?

Prof. Ricardo: Tem que ser através do professor.

Beatriz (petiana): Do mesmo curso?

Prof. Ricardo: Sim, do curso. Porque o que um professor normalmente faz? O professor consulta sua CoC – não que a gente tenha que ter aprovação da CoC, não tem nenhum documento formal dizendo isso, mas é praxe o professor reportar à sua CoC que está fechando um convênio, até pra ver se algum outro professor não está fazendo ao mesmo tempo, evitando um desencontro de informações. Então, é necessário que seja via professor, via Coc. Portanto, não tem como um aluno assinar um convênio internacional formalmente estabelecido, até porque o professor vai ter que fazer um plano de trabalho, em português, em inglês e na língua da universidade de lá. A gente acabou de celebrar com a Shanghai University, em português, inglês e mandarim. Se eles colocaram coisas que a gente não sabe lá, vai ser difícil para a gente perceber. Mas tem alunos que falam chinês fluente aqui na EACH. Quando a missão veio para cá, nós tivemos uma aluna de Lazer e Turismo acompanhando, que conversava em mandarim fluente. Ela é de Shanghai e acompanhou a reunião com os professores.

Profa. Sara (tutora PET-SI): Nesse caso não tem que ter a tradução juramentada?

Prof. Ricardo: Não, não é necessária tradução juramentada. Essa pergunta que você fez é a pergunta que mobilizou eu, a professora Monica, presidente da CG e a Rosângela, secretária da CG, em varias reuniões e trocas de email. Porque até então a USP exigia tradução juramentada em tudo, em qualquer documento. Por conta da internacionalização a gente foi no regimento da Universidade de São Paulo e a gente verificou que não é necessária a tradução juramentada, porque isso poderia encarecer, e muito, qualquer negociação, inclusive no convênio.

Sara (tutora PET-SI): Pra mim parece uma coisa padrão.

Prof. Ricardo: É, mas se fosse padrão a gente “tava… tava lascado”! Porque seria um custo muito alto. E além disso, o Brasil iria na contramão de todos os países do mundo, porque nenhum país exige tradução juramentada. Quando eu mandei em português o convênio para os EUA e para Inglaterra, em nenhum momento eles exigiram que um expert em língua portuguesa fizesse qualquer menção de que o convênio correspondia com o que está escrito em inglês. Até porque, nessas universidades, hoje, já tem pessoas que leem este idioma, no caso o português, e sabem se há alguma coisa além do contrato. E, além disso, se estivéssemos fazendo isso, estaríamos quebrando uma relação contratual.

Sara (tutora PET-SI): Não sei se você conhece, mas a IAESTE é uma associação internacional para programa de estágios internacionais e, no Brasil, ela é representada pela central de intercâmbio. Esta associação é extra universidade e proporciona um intercâmbio muito grande de alunos de graduação para fazer estágio em empresas ou instituições. E é muito comum que a universidade se cadastre neste programa como uma instituição e ofereça a vaga de estágio para pessoas de fora do país. Quanto mais um país oferece vagas de estágio para alunos de fora, mais vagas de estágio fora, para alunos daquele país, são oferecidas. É um programa bem interessante, na minha opinião. Contudo, ele foge do acadêmico, tendo foco específico para trabalho de estágio. A USP tem algum relacionamento com este programa? Se não, você sente que seria uma possibilidade de fazer um relacionamento deste tipo?

Prof. Ricardo: Eu não conheço especificamente este programa, mas gostaria de fazer um paralelo com a área que eu conheço: a Disney. A Disney, nos EUA, tem um programa chamado Disney Program. É um programa que aceita alunos de estágio, geralmente da área de Lazer e Turismo, para trabalhar em temporadas. Este poderia parecer o melhor emprego do mundo, onde você trabalharia num parque temático na Flórida e, enfim, participar de um estágio nesta categoria. No entanto, apesar de este estágio ser importantíssimo para alunos de Lazer e Turismo, eles vão para este estágio sem, necessariamente, o apoio da Universidade de São Paulo. E nós professores sempre apoiamos; por exemplo, quando um aluno é selecionado, aplicamos provas mais cedo para permitir que o aluno viaje. Porque acreditamos que é uma experiência muito importante para o aluno passar esta temporada na Disney, indo no final novembro e voltando no final de fevereiro, onde ele presencia toda operação de gestão, de manejo do espaço, de questões ambientais, além dos outros itens aplicados em sala de aula. Além disso, o aluno recebe para trabalhar neste estágio, mas trabalha muito atendendo uma série de demandas. Este é um típico paralelo com o programa que a Profª Sarajane acabou de fazer com a área de vocês. E no caso, a internacionalização que eu estou comentando com vocês não cobre este tipo de atividade. E nenhum momento a Disney Program passa pelo aval da CCInt ou da CRInt local. O que nós procuramos fazer para ajudar o aluno neste sentido é que se ele traz uma demanda dessa para nós, dentro da CRInt, nós nos mobilizamos caso ele precise comprovar que ele é aluno da Universidade de São Paulo, já que no caso da Disney, eles enviam um protocolo que precisa ser assinado por um professor do curso ou pelo escritório de Relações Internacionais. Eu mesmo, por exemplo, já assinei vários destes documentos, mostrando que o aluno está regularmente matriculado na Universidade de São Paulo e que, portanto, ele está elegível para participar do programa. Mas em nenhum momento este aluno usa verba da Universidade de São Paulo para viajar ou para participar deste tipo de atividade mesmo entendendo que isso é, de fato, importante para a formação profissional. Se isso vai acontecer no futuro, eu desconheço; hoje, o que está disponível não contempla este tipo de iniciativa. Este programa da Disney é muito parecido com este que se coloca aqui (IAESTE). E ainda é interessante dizer que a Disney não é uma universidade, é um parque temático conhecido no mundo todo, por isso, para se ter valorização acadêmica eles fecharam um acordo com a Michigan State University. Como a Michigan já servia à Disney da Califórnia, ela passou a servir também à Disney da Flórida e até onde eu sei, começou a servir à de Tóquio e de Paris também de alguma forma. A Disney, sabiamente, encontrou uma universidade de grande escala dos EUA para oferecer professores e treinar os alunos conforme as necessidades. Pegando o exemplo da Disney, mas sendo algo que também poderia ser feito para a IAESTE, é a USP fechar um convênio com a Michigan State University e que este permita a interface da forma que é feita com a Disney. Isso poderia acontecer se alguma universidade estiver por trás deste estágio formalmente colocado e aproveitado para Sistemas de Informação.

Lucas (petiano): Na contrapartida, pensando nos alunos que vêm para a Universidade de São Paulo. Existe um espaço para estes alunos trazerem um pouco da experiência deles, em seus países de origem, para nós? Ou essa troca ocorre simplesmente no contato no dia-a-dia? Se não, poderia se pensar em algo deste tipo?

Prof. Ricardo: É, nós temos feito isso ainda de forma elementar. Essa é uma das metas de curto e médio prazo que nós temos que estabelecer. Porque, qual é o aluno estrangeiro que nós temos recebido aqui? Nós temos recebido. Mas quem sabe deles? Onde eles estão? Vocês os veem por aí? Nós temos o costume de ver os alunos do PEC-G, os alunos africanos. E que muitas vezes se sentem até isolados ou se isolam como um grupo. Temos que tentar trazer estes alunos para o convívio. “Ah, mas se eles querem se isolar, o problema é deles”. Não, não é! Temos que tentar aproximá-los. Quando vocês vão para fora também, e vocês encontram não só brasileiros, mas argentinos ou outros alunos latino-americanos, é tendência você se aproximar de um aluno desse e ele virar seu melhor amigo no momento que você está por lá. Isso porque você se sente inseguro, você está em outro país, é difícil por uma série de itens que nós já colocamos aqui. Então, cabe a nós, não apenas a nós da CRInt, mas nós EACH, nós professores e nós alunos, tentar criar um clima não só amigável para estes alunos, mas também criar esta contrapartida. Fazer que estes alunos contribuam também, dando uma palestra, falando como é a universidade de lá. Eu vejo um nome de uma universidade lá na CRInt e muitas vezes eu não tenho ideia do que é. Posso criar uma expectativa enorme positiva e não necessariamente é o que eu esperava e, talvez, por meio de um relato, eu mudo a minha ideia e vou buscar outra universidade e não necessariamente aquela. É preciso pensar numa série de coisas quando vocês vão para um convênio, e é preciso que o aluno traga esta visibilidade. Pegando o exemplo da University of Northern Iowa de novo, é uma universidade elite, top, mas é uma universidade que fica numa cidade que se chama Cedar Falls, que fica uma hora e meia de Chicago no meio de um milharal. Não é à toa que a fábrica da Quaker está lá. Como uma GM para São Caetano, é a fábrica da Quaker para Cedar Falls, Cedar Rapids que estão ali na região. Então, você vai passar um semestre lá, você está disposto a isso? Você não vai ter isso, você vai passar um semestre numa top universidade estudando. “Ah, mas eu estou a uma hora de Chicago” Mas você vai ter verba pra ficar comprando voo pra Chicago? Duas horas pra Nova Iorque, mas você vai ter verba pra fazer isso? Então, é bem provável que estando numa universidade você vai querer conhecer outros pontos, mas tudo isso deve ser pesado e pode, também, criar uma expectativa negativa do nosso ponto de vista de um aluno que vai para Barcelona só para passear. A USP não está pagando para o aluno passear. Claro que tem que aproveitar, e que tem que conhecer, é bacana. Contudo, você tem que voltar com isso pra cá. Então, essa contrapartida é algo que precisa ser estudado: em que momento poderemos criar isso? Na semana de estudos de Semana de Informação, não seria legal ter um aluno de Sistemas de Informação que foi para uma universidade top e que voltou pra fazer um relato? Ou um aluno estrangeiro que está aqui, usando deste convênio estabelecido e vir pra uma semana de estudos, e mesmo com seu português ainda não muito bom, mas que se vê numa situação de colocar algo novo? Isso que temos que criar. Isso é algo que está ainda engatinhando na EACH, é ainda algo muito novo. Daqui a cinco anos projetando e seguindo os passos que estão sendo feitos até lá, teremos uma realidade muito diferente daqui. Se eu serei o presidente da CRInt até lá, eu não sei. Mas, enfim, quem estiver no cargo, quem estiver comandando, vai ter que dar continuidade nisso e criar condições objetivas para que isso aconteça. Hoje é pouco feito, quase não é feito isso. O que nós temos são alunos estrangeiros que passaram no vestibular da FUVEST, assim como vocês passaram, e que são estrangeiros, aprenderam o Português, e que vão e dão seus relatos. É fácil pra mim pegar o exemplo de Lazer e Turismo. Eu comentei com vocês, temos alunos… Incrivelmente a China tem se interessado muito em fazer Lazer e Turismo, não é à toa, né? Quase sempre a história é a mesma: pais chineses, mães chinesas, que trabalham com importação-exportação Brasil-China, vieram morar no Brasil, trouxeram seus filhos chineses, eles estudaram em escolas brasileiras e aprenderam o Português e prestaram o vestibular da FUVEST, assim como vocês, e estudam aqui. Esses alunos têm procurado em grande escala Lazer e Turismo, mas tem também o curso de Ciência da Atividade Física. Eu não sei se em Sistemas de Informação tem um índice, eu desconheço. Mas eu estou falando “alunos não descendentes”, alunos estrangeiros. Que vieram para cá estudar e aprenderam o Português e falam dupla língua. Diferente do que você me pergunta. O que você me pergunta é o convênio e ainda não aconteceu isso. A gente não teve nenhum aluno de PEC-G, por exemplo, relatando o seu país. Isso deveria ser estimulado de alguma forma, trazendo cada vez mais estes alunos para o convívio com os demais graduandos.

PET-SI: Temos uma pergunta que é a respeito do duplo diploma, que seria a formação sanduíche.

Prof. Ricardo: Sim.

PET-SI: Existe algum programa de intercâmbio neste sentido aqui na EACH, na USP, ou acima da USP? Onde o aluno pode procurar?

Prof. Ricardo: Isso não é simples assim. É uma coisa muito difícil de ser estabelecida. Com isso eu já respondo: a EACH não tem, muitas unidades da USP não têm. Eu fui atrás de qual unidade tinha. Encontrei, por exemplo, que a FEA tem uma universidade a que eles se conveniaram e agora conseguiram gerar o duplo diploma. Ser difícil não significa impossível. É vontade do diretor que a EACH tenha um duplo diploma em várias áreas do conhecimento, que seja Sistemas de Informação, por exemplo. Mas pra se criar um duplo diploma, deve-se estabelecer um sincronismo praticamente total de toda a carga didática do curso daqui com o curso de lá. Ou seja, créditos válidos com alunos cumprindo créditos aqui, cumprindo lá, alunos de lá cumprindo créditos aqui… Uma via de mão dupla muito maior do que a que temos nesses convênios. Isso seria efetivamente um duplo diploma na graduação. Do sanduíche, no Mestrado e no Doutorado, isso já é feito constantemente, mas o sanduíche não significa duplo diploma. Tem uma diferença grande aí. O CNPq, por exemplo, banca o que ele chama de Doutorado Sanduíche para o aluno de Doutorado que vai fazer um semestre fora. Esse aluno cumpre créditos fora e vem depois estudar e redigir sua tese de doutorado aqui. Isso é o que se chama de Doutorado Sanduíche. Mas não significa duplo diploma, ou seja, ele não sai com diploma USP e com diploma da universidade de fora. Ele sai apenas com o diploma USP com uma menção de um Doutorado Sanduíche cumprido em outra universidade. Mas em nenhum momento ele pode falar que ele teve diploma, por exemplo, da Universidade de Berkeley, na Califórnia, com a Universidade de São Paulo. Não é assim. Então vocês veem que nem na Pós-Graduação o duplo diploma ainda é uma realidade, seja na USP ou em qualquer outra universidade do Brasil. Algumas universidades do sistema privado afirmam que apresentam convênios celebrados. Isso não significa duplo diploma também. Fechar um convênio com uma universidade estrangeira não significa que o duplo diploma seja estabelecido. Essa pergunta é muito importante, porque no caso da USP, ela precisa resolver problemas internos que travam esse acordo, para depois tentarmos fazer isso. Porque não basta a nossa boa vontade, aliás, as universidades sugerem: “Será que a USP já não quer fazer um duplo diploma?”. Porém, quando se tenta oferecer para própria USP, entraves, mais do que burocráticos, são colocados. Tem que se criar resoluções para esse problema. Eles têm que criar condições objetivas. Nós estamos em férias em julho, os Estados Unidos não está. E daí? Temos que equacionar isso. O duplo diploma tem que passar por tudo esse processo. Até onde eu vi, a FEA é a única unidade da USP que tem o duplo diploma, e eu fui procurar como eles fizeram. Existe uma série de adaptações que são feitas. Mas se a FEA conseguiu, por que a EACH não conseguiria? Então, é possível de isso ser realizado sim, mas não é simples.

Beatriz (petiana): Para o caso do Mestrado, além do “Ciências sem Fronteiras”, quais são os outros programas que existem aqui na EACH?

Prof. Ricardo: FAPESP, por exemplo. A FAPESP é uma agência de fomento que serve todo o estado de São Paulo. E espera-se apoio para o aluno de Mestrado e Doutorado pra estágios fora do país. Esses apoios são importantíssimos.

Beatriz (petiana): Esse apoio é parecido com o da graduação? Envolve apoio-moradia, apoio-transporte, etc?

Prof. Ricardo: Sim, tudo. Eu arrisco dizer que no caso de Mestrado e Doutorado é ainda mais interessante, do ponto de vista de ir pra lá. Não se espera que você vá ser um professor lá fora, mas você tem tudo custeado; e em alguns casos a sua família vai junto: sua esposo(a) e filhos, podendo estudar fora do país. No caso da Pós-Graduação isso é muito interessante. Mais um comentário que eu acho que é importantíssimo destacar: muitas vezes nós não sabemos: pra nós, se acena como uma enorme e rica oportunidade de fazer um Mestrado ou Doutorado fora do país. Então, se o aluno acaba a graduação na EACH e resolve fazer Mestrado e Doutorado nos Estados Unidos em uma universidade “top”, deve ter consciência que seu título vale em todo lugar, menos no Brasil. É obrigatório que o aluno peça uma autorização para as comissões correlatas na Universidade de São Paulo para que o diploma seja validado também aqui. E não é só a USP que faz isso, as públicas no geral fazem. Esse pedido não necessariamente é acolhido. Porque um parecerista vai ser designado para avaliar esse pedido e ele é absolutamente rigoroso em relação ao que foi cumprido lá fora e se esse título pode realmente valer aqui. Isso é uma das coisas que devem ser colocadas também.

Beatriz (petiana): É permitido começar um Mestrado aqui e fazer um ano fora e o outro ano aqui; fazer matérias que valham para o próximo ano, como na Graduação?

Prof. Ricardo: Geralmente não. A não ser que o seu Mestrado de origem permita isso, e que você receba bolsa pra isso. Se não, dificilmente acontece.

Beatriz (petiana): Na EACH não acontece isso?

Prof. Ricardo: Acontece desde que, como o colega colocou, o edital do Mestrado e Doutorado Sanduíche esteja aberto. O aluno deve seguir o edital pra que isso aconteça. Ele não pode ir por conta própria, cumpre uma disciplina no exterior e ao retornar ao Brasil já tem uma das disciplinas do curso daqui cumprida. Não é assim que acontece! Deve-se analisar caso por caso. Tem que ver até que ponto os créditos do Mestrado de Sistemas de Informação, por exemplo, permite que você vá para fora do país, cumpra disciplinas lá e traga para cá como um crédito cumprido. Até onde eu sei, dos programas de mestrado que conheço, é necessário que o aluno faça quatro disciplinas no Brasil, obrigatoriamente, além das atividades complementares que podem ser feitas. Certos programas provavelmente aceitam que o aluno faça um tempo lá fora e depois volte, e convalide algo que teria que fazer aqui de qualquer forma. Mas, como eu já disse, tem que analisar caso a caso.

Gabriela (petiana): Então, como você comentou, existem pessoas que fazem um Mestrado/Doutorado, Sanduíche e não vale aqui no Brasil. Essa seria a vantagem de um duplo diploma?  Quando você faz um Mestrado/Doutorado Sanduíche, você tem reconhecimento lá fora de que você fez isso ou não também vale de nada lá?

Prof. Ricardo: Não, é válido. O duplo diploma ajudaria muito nisso. Contudo, muitos alunos e professores não ficam esperando o duplo diploma, e com razão. Uma vez que o trâmite para isso é muito elaborado, muito complexo. Vale a pena fazer um Mestrado/Doutorado Sanduíche e ter uma experiência em outro país. Além disso, o aluno recebe uma bolsa através de uma agência de fomento. A FAPESP, CAPES e CNPq são exemplos de agências que fazem isso. O aluno vai para outro país, estuda lá, volta para o Brasil e tem seu título reconhecido aqui. Compensa muito nesse sentido. É diferente de simplesmente ir viajar fora e fazer um estágio lá. Meu caso é um exemplo. Ele foi o seguinte: eu fiz meu Mestrado na UNICAMP, e meu Doutorado na USP. Quando eu acabei meu Doutorado, eu fui fazer um Pós-Doutorado. Neste período de estudo, a própria universidade da Austrália, onde eu fazia o pós-doutoramento, me dava condições de lidar com as minhas despesas. Essa situação de uma universidade auxiliar o aluno financeiramente também pode ocorrer. A universidade me disponibilizou um escritório, uma secretária e permitiu que eu ficasse um semestre na cidade de Brisbane. Consegui isso através de uma solicitação, porque o conteúdo da minha tese de doutorado tinha relação com as atividades que seriam trabalhadas naquele semestre. Logo, não foi por sorte. Atingir essas conquistas depende do trabalho de cada um de vocês e da pesquisa que vocês realizam. Vocês fazerem parte de um Grupo PET é uma experiência que deve estar no currículo de vocês. Isso cria um diferencial pra um aluno que não fez o mesmo. Um diploma/currículo é construído ao final disso tudo. Quando se observa o histórico de vocês, vê-se até que ponto vocês se esforçaram. Essas experiências têm de ser equilibradas e equacionadas com a formação de vocês. Aproveito para dar uma dica: construa um currículo, um portfólio, onde sejam elencadas todas essas atividades. Nós, professores, fazemos isso quando precisamos solicitar algo. Eu faço isso sempre. Daqui a sete dias, eu tenho que ir pra Rimini, na Itália. Vou ficar catorze dias lá. Quem vai arcar com as minhas despesas? CNPq. Como é que eu consegui? Fazendo um projeto de vinte páginas, em inglês, solicitando auxílio de custeio ao CNPq. Ao receber essa verba, eu vou para um congresso científico, serei Keynote Speaker lá. Depois, me dedicarei à captação e estabelecimento de convênios. Para que isso fosse acolhido, eu ganhei a bolsa do CNPq, mas agora vou ficar dois anos sem poder recebê-la. Tenho que ficar dois anos no interstício para receber de novo essa bolsa que me apoia para ir até lá. Mas isso não é problema, pois existem outras agências, como a CAPES, FAPESP, entre outras. Como é que eu sei isso? Tive que procurar. Os editais estão aí! Então, eu concordo com a Professora Sarajane, vocês tem que ir atrás, tem que ver o que está disponível pra vocês. Eu fui aluno da USP, assim como vocês; e quando eu era aluno, eu não dispunha de praticamente nenhum edital. Hoje vocês dispõem de certos editais que não existia na minha época de aluno de graduação da USP. Quem me dera dispor do que vocês dispõem hoje. Parece até um discurso saudosista, romântico, mas é verdadeiro. Por fim, uma das coisas que eu gostaria de colocar é: procurem os editais e construam o currículo de vocês.

Beatriz (petiana): Com relação a isso que você comentou, o processo de seleção para o intercâmbio leva em conta o fato do candidato ser do PET, Diretório Acadêmico, tenha feito monitoria em alguma disciplina ou Iniciação Científica?

Prof. Ricardo: Essa pergunta é fundamental. Primeiro, é necessário perceber a diferença entre eliminatória e classificatória. Deve-se observar o que o edital prevê, visto que, por recebermos os editais da Pró-Reitoria, devemos segui-los fielmente. No caso do último edital, era eliminatório caso o aluno tivesse alguma reprovação. Mas e se esta ocorreu em uma disciplina do ciclo básico? Sinto muito, é uma reprovação; desse edital, você não poderá participar. Já em outros, como o Ciências sem Fronteiras, geralmente pode. O mínimo de 20 créditos e máximo de 80 créditos no momento da inscrição também é eliminatório. Agora, se não foi aluno PET, PIBIC ou FAPESP, não era problema, pois não eram fatores eliminatórios! Mas isso poderia ser e foi usado no momento da classificação. Tivemos alunos que no momento da classificação fizeram a entrevista estando, por exemplo, no 25º lugar e caíram para 50º. Muitas coisas podem ter causado isso, como, por exemplo, o plano de estudos não estar claro. Quem vai entrevistar já o leu  antes e precisa identificar brechas (como de alunos que querer fazer o intercâmbio apenas para viajar) e colocá-las na entrevista, na língua do país que o candidato pretende ir. Se o aluno não fosse bem na entrevista, não era eliminado, mas caía na classificação. Já com o Ciências sem Fronteiras foi diferente. O prazo terminava dia 14 de setembro e até dia 12 de setembro tínhamos 85 alunos da EACH inscritos, alguns com 3 ou 4 reprovações. O sistema permitiu que eles se inscrevessem, mas quando foi mandado para a Comissão de Graduação, já se eliminou os que não atendiam aos requisitos do programa. E no caso do Ciências sem Fronteiras, a entrevista não é feita necessariamente com o plano de estudos, mas pediu-se que fosse no idioma do país para o qual o aluno tinha intenção de ir.

Gabriela (petiana): E com relação ao Ciências sem Fronteiras, antes era pedido o Currículo Lattes. Mas dessa vez não foi e, por isso, muitos não irão atualizá-lo. Tem que estar previsto em edital ou não?

Prof. Ricardo: Então, ninguém daqui vai analisar o seu Currículo Lattes para o Ciências sem Fronteiras. Mas obrigatoriamente ele tem que ser gerado, já que depois você terá que usá-lo.  É uma exigência do Governo Federal, não da Universidade de São Paulo. No entanto, nesse edital da USP, nós pedimos aos alunos que também fizessem; e deixamos o Marcelo e o Leandro disponíveis para ajudá-los a fazer o Lattes, pois alguns alunos reclamam que não é fácil fazê-lo. Temos toda a paciência para atender os alunos e ajudá-los a criar o Lattes. Após criá-lo, alguns têm dúvidas sobre o que colocar. “O que eu posso colocar, se não tenho nada?!”; Coloque que você é aluno da Universidade de São Paulo. Teve alguma experiência? Participou ou organizou algum evento? Coloque também! E outro conselho: se vocês tiverem a intenção de participar de alguma internacionalização, sugiro que façam imediatamente o teste de idiomas. Ele geralmente tem uma validade mínima de 2 anos. Façam o teste e o deixem guardado, pois isso permite que, se você for mal uma vez, possa fazê-lo novamente. É muito arriscado quando o aluno deixa para fazer pouco tempo antes das inscrições no edital porque se for mal, não dá tempo de fazer novamente. Isso já aconteceu aqui na EACH; o aluno não pôde ir porque não conseguiu passar no TOEFL. Com isso, o aluno tem que concorrer a outro edital, e não tem mais garantia de que irá passar. E isso não é só para o inglês; para francês, alemão, espanhol, qualquer outro idioma, vale a pena fazer o teste com antecedência.

Beatriz (petiana): Aproveitando o que você falou sobre idiomas, tem alguma possibilidade da EACH trazer um curso oficial de línguas pra cá?

Prof. Ricardo: Então, isso seria no Centro de Línguas. Mas não um teste oficial de línguas. A EACH não pode fazer isso pois até onde eu saiba, existem limitações para aplicação destes testes. Posso investigar se algum dia a EACH pode permitir que o British Council faça, aqui dentro, o teste do IELTS. Eu acredito que pelo regimento da Universidade de São Paulo isso não seja permitido. O que pode ter futuramente é um Centro de Línguas, com ensino básico de idiomas. Aliás, o que a Vice-Reitoria de Relações Internacionais está fazendo agora são cursos à distância de chinês, inglês e espanhol. Eu, por exemplo, me candidatei, fui aprovado e estou fazendo curso de chinês básico. Então, vocês podem fazer cursos a qualquer momento, de qualquer outro idioma que vocês tenham interesse.

Gabriela (petiana): E, voltando ao assunto da média ponderada. Todo mundo fala que isso é super importante para esses editais (de intercâmbios). É importante em qual momento? Somente na classificação aqui dentro ou a Universidade lá fora também vai analisar isso?

Prof. Ricardo: Lembra da diferença que existe entre a classificação e a eliminação? Esse é o primeiro estágio (análise da média ponderada). É o primeiro critério que vai ser observado. Se a sua média está abaixo da média do curso, você não consegue nem fazer a inscrição no caso desse edital. As universidades lá fora, como especificado no contrato que eu expliquei pra vocês, querem que a universidade de origem assegure que o aluno é um aluno que tem condições de ir pra fora, inclusive acadêmicas. O que as unidades de origem tem feito é analisar isso, até por recomendação dos editais. Enfim, se você tiver a média abaixo, já era, não consegue se inscrever. Agora, um exemplo do que vem acontecendo é: um aluno de Sistemas de Informação com a sua média, não é a mesma coisa que um aluno de Lazer e Turismo com a sua média, que por sua vez não é a mesma coisa que um aluno de Têxtil e Moda ou Gerontologia com a sua média. As médias dos cursos variam muito. Então, foi criada uma fórmula, que é utilizada pela CG e pela CRInt, que considera a média do com relação à média do seu curso, levando em consideração essas disparidades de curso para curso. Então, tem que ser feita essa ponderação. Quando sai uma escala, uma classificação referente ao resultado de uma análise de inscrições sob um edital, no caso, de 1 a 52, saibam que tudo isso foi levado em consideração. Esse é o primeiro critério, sempre! E isso já vem sendo feito em vários editais desde que começamos aqui na EACH. Do Santander, por exemplo, do Luso-Brasileiro, todos eles sempre seguiram a mesma formatação. Porque a USP valoriza o mérito. E repito: teve uma reprovação, não está condenado para sempre, alguns editais permitem, o Ciências sem Fronteiras é o maior exemplo. Mas na USP, neste primeiro edital (edital próprio da USP), definiu zero reprovações. Se vai mudar no futuro, não sei. Mas eu duvido, pelo número de vagas e a crescente demanda, eu duvido que eles abram a possibilidade de um reprovado em uma disciplina usufruir do edital.

Gabriela (petiana): Então é no primeiro momento, né? Quando vai passar pra universidade de fora, já foi escolhido e a média ponderada não é mais avaliada?

Prof. Ricardo: É a unidade de origem que decide! Tem um sistema, que não é o Júpiter nem o Mundus. É um sistema que foi constituído para o presidente da CRInt usar (eu o uso, o usei hoje de manhã, na análise de várias candidaturas). Eu tenho que analisar – porque foram 67 (candidaturas) nessa última chamada. Todos os alunos tiveram que fazer o upload da carta de aceite, justificativas diversas, seu histórico. Eu tive que entrar no sistema, validar, dizer onde o aluno se posicionava na lista. Isso vai para a comissão executiva dessas bolsas na reitoria. A comissão vê o parecer positivo ou negativo da unidade de origem e faz sua avaliação. Geralmente ela vai ao encontro do que a unidade de origem decide. Então, a unidade de origem é a grande decisória dessas bolsas. Isso tem ocorrido em praticamente todas as bolsas.

Lucas (petiano): E no caso em que, por exemplo, você passa pelo edital e está fazendo um intercâmbio, você está em um país estrangeiro e sabe também que nele haverá um congresso ou evento acadêmico. Você pode recorrer à verba Pró-Int ou algo assim?

 

Prof. Ricardo: Se você pode acumular duas bolsas. É essa sua pergunta?

 

Profa. Sara (tutora PET-SI): Por exemplo, a inscrição num evento custa … 800 euros e o aluno quer pedir pro Pró-Int daqui, estando lá (fora do país).

Lucas (petiano): Mesmo estando fora do país pelo programa de internacionalização, você consegue ter direito a esse benefício?

Prof. Ricardo: Se você é aluno da USP, regularmente matriculado, você tem o direito disso. Não importa onde você estiver, pode pedir sim. Isso é certamente possível. Não só possível como desejável. Agora, se vão pagar os seus 800 euros, duvido muito, porque se você transformar isso em reais e ver o que a CG recebe de montante … a não ser que não tenha muita demanda. Se não tiver muita demanda naquele semestre e entenderem que o pedido procede, eles vão pagar.

 

Sara (tutora PET-SI): É, eu falei 800 euros porque foi o preço de um evento recente, mas este valor é para professor. Para aluno é mais barato.

 

Lucas (petiano): Se, porventura, o período letivo da universidade de fora não bate com o período letivo aqui da USP, por exemplo, quando você volta, tem como você entrar com um mês de atraso no semestre?

 

Prof. Ricardo: Tem que ser analisado caso a caso. Isso vai ser uma coisa cada vez mais frequente dentro da escola. Sempre vem o exemplo mais fácil pra mim que é o exemplo dos EUA, que tem um calendário desajustado em relação ao nosso. Como falei pra vocês, um Spring break ocorre na época em que estamos em aula. Em contrapartida, temos os meses de janeiro e fevereiro totalmente disponíveis e eles estão em sala de aula. Isso terá que ser visto. Isso é uma demanda recente. Como isso está acontecendo nesse momento, vai acontecer agora dentro da EACH e, muito possivelmente, a Comissão de Graduação dentro da EACH vai ter que discutir isso e entender que isso vai ter que ser gerido. Existem demandas especiais, por exemplo, alunos que recebem demandas especiais hoje por conta de doenças ou acometimentos médicos. Isso já aconteceu várias vezes comigo, como professor. Tive que dar trabalhos especiais para um aluno em determinado semestre. Ou por uma gravidez, ou por ter pedido formalmente para a Graduação. Isso vai ter que ser pensado também no caso da internacionalização. Como faz para o aluno, quando voltar, não perder o semestre? Porque não faria sentido. Qual é a vantagem de participar de um programa de internacionalização se eu volto num mês de abril e eu perdi o primeiro semestre inteiro? Isso terá que ser formalmente colocado para a Comissão de Graduação, para a Coordenação dos professores daquele semestre. Isso vai ter que ser conversado. Mas, não é você chegar no mês de maio e falar que está vindo da Alemanha, e em junho pedir a sua nota. Não é assim. Tem que ter sido conversado, já vai ter sido colocado formalmente. O coordenador do intercâmbio vai ter formalizado, muito provavelmente, junto ao coordenador do curso. Por isso também existe o coordenador do intercâmbio, para ele cuidar disso, ele é o responsável por isso.

 

Pensei que vocês iam me perguntar sobre um assunto, mas isso ainda não veio como pergunta … Mas geralmente a pergunta que nos fazemos é: vale a pena ter um maior número possível de intercâmbios ou poucos que funcionam? Porque essa é uma pergunta importante também. E eu diria pra vocês … isso é uma coisa que todas as unidades têm adotado… : vale a pena ter menos intercâmbios que funcionem. Não adianta atirar pra todos os lados e querer as 300 melhores universidades conveniadas com a USP. O que a gente vai usar disso? Pra que a gente vai ter? Precisamos de um convênio ativo, com o coordenador ativo que faça essa ponte. Preferimos que tenham menos convênios funcionando de forma estruturada e organizada, do que um monte que sejam desorganizados. A gente sabe que algumas unidades da USP falam que se pudessem voltar atrás em alguns convênios, eles voltariam, porque eles estão completamente ociosos. Não vale a pena a gente ter convênios que estão assim. Na EACH todos os 21, 22 agora, convênios todos funcionam. Todos estão sendo utilizados, se aproveitarem o edital de agora. Porque a gente vai lá e cobra o coordenador do convênio.

 

Gabriela (petiana): Tem como desativar um convênio sem ser essa quebra de contrato que você falou?

 

Prof. Ricardo: O contrato tem uma duração, que geralmente é de 5 anos. Isso é um padrão. Mas se o convênio fica agonizando, sem a ida e volta de 1, 2, 3 anos, tem que ser repensado. E é possível que ele seja encerrado a qualquer momento, de comum acordo das duas partes. Por exemplo, pode acontecer de uma universidade fechar o seu departamento, fazer uma junção com outro departamento e perder-se aquela via de contato, aquele curso que você esperava lá. Isso é possível.

 

PET-SI: A universidade de origem do aluno, a USP, acompanha o desempenho do aluno lá, na universidade de destino? Por exemplo, consideremos um aluno que ficará um ano na universidade de destino porque tem um semestre de disciplinas e depois tem alguma coisa relacionada a um estágio. A USP acompanha o desempenho dele nas disciplinas para decidir, por exemplo, se o mantém lá por mais um semestre como estágio? O que acontece se ele reprova em uma disciplina. A USP fica sabendo disso? A universidade de destino dá um feedback e a USP pode mandar o aluno voltar? Como funciona esse acompanhamento?

 

Prof. Ricardo: Isso é importante. O aluno tem que cumprir as obrigações dele como aluno lá. Falando um pouco a respeito de alunos que na entrevista deram a entender que iam passear nas cidades e não iam estudar. Eu olhava o plano de estudos questionava: “Poxa, mas você vai fazer essa disciplina só? O que você vai fazer no resto do tempo?”, e o aluno dizia que estava indo para França, Espanha, passear ou que faria um curso de idiomas. “Mas não é pra isso que você vai.”, eu dizia. O aluno continua tendo a sua responsabilidade lá fora. E para nós, é fundamental que ele seja responsável. Agora, quem acompanha isso mais de perto é o coordenador do convênio. Já aconteceu, infelizmente, um problema relacionado a brigas de aluno nosso com aluno estrangeiro…

 

PET-SI: Aí volta?

 

Prof. Ricardo: O aluno teve que voltar. Só que não estava em edital pago pela USP. Houve casos de alunos que desistiram; choraram; não aguentaram ficar no exterior; tiveram que voltar. O contrato não é encerrado, mas tem que ter uma política.

 

Sara (tutora PET-SI): No caso da não adaptação, acho compreensível. Existem formas de averiguar junto a quem acompanha ele lá, as motivações, os problemas que o aluno enfrentou. Mas se tem um desempenho ruim, eu acho que já que ele tem uma cobrança aqui, de que não pode ter reprovação pra poder ir, tem que ter uma certa média de destaque pra poder ir, ele tem que manter um mínimo de desempenho aceitável lá, até como uma contrapartida ao contrato.

 

Prof. Ricardo: Da mesma forma o aluno de lá, aqui. No caso no nosso aluno lá … vai ser acompanhado. E quem vai dar essa informação é o coordenador do convênio de lá.

 

Beatriz (petiana): Ele tem acesso às notas do estudante?

 

Prof. Ricardo: Tem acesso ao rendimento, frequência, a tudo.

 

Gabriela (petiana): Mas imaginando uma situação hipotética… Ele não foi lá para passear, ela estava estudando, por exemplo, em outra língua. Ele sabe que ele fala bem aqui, mas ele chegou lá e não se adaptou, não entende direito o que acontece… Aí também volta?

 

Prof. Ricardo: Então, a gente tem que analisar caso a caso. Não tem como falar sobre uma regra geral.

 

Sara (tutora PET-SI): O que eu acho que é muito importante para o aluno que vai fazer esse tipo de intercâmbio é avisar que se ele tiver algum tipo de dificuldade, em algum nível, no momento em que ele percebeu isso, ele tem que procurar o auxílio pertinente ao problema que ele está tendo.

Prof. Ricardo: É, procurar o coordenador de lá.

Sara (tutora PET-SI): E não esperar o “caldo entornar”. Sabemos que isso acontece aqui. Não com aluno de fora, mas com alunos nossos. Espera o “caldo entornar” para daí… “Ah, mas eu estava com um problema assim”… E aí já era. Quando se trata deste tipo de programa, assim que se está sentindo o problema, isso já tem que ser levantado para já buscar a solução.

Prof. Ricardo: É importante que quem já sabe que quer participar deste tipo de programa, já faça um teste de idioma e guarde a comprovação. Porque, por exemplo, considerando um país de língua inglesa e os casos dessas duas alunas que estão indo agora, uma para os Estados Unidos e outra para a Inglaterra. Eu fiz uma entrevista com elas e inglês e percebi um nível muito forte. Não só eu avaliando mas, elas apresentaram IELTS e TOEFL com notas muito altas. A aluna veio decidida muito provavelmente vai chegar na Inglaterra, em Londres e não vai recuar. Não vai chorar “Ai, eu não sei falar inglês”. Vai saber a língua e bem. Vai ver que é uma cultura diferente, mas na entrevista você percebe o foco…

Beatriz (petiana): A segurança…

Prof. Ricardo: A segurança, a decisão de quem fala: “olha, estou indo para fazer isso”. Então, o que mostra isso: a conjunção de um plano de estudos muito bem feito, teste de idiomas já com boas notas, já uma clareza do que você pretende fazer lá fora. Da mesma forma que, quem não tem isso claro, você “saca” na hora que a pessoa não está preparada para ir.

Sara (tutora PET-SI): É, e se você não está preparado não deve ir mesmo, porque você vai se colocar numa situação na qual você vai ter dificuldade para gerenciar. Você vai estar já imerso naquela situação, não só em relação à língua, porque acho que existem pessoas que se dão muito bem com a língua … mas em relação à questão da cultura mesmo. Tem que analisar a personalidade da pessoa para se adaptar. Tudo bem que Inglaterra e Estados Unidos não é um negócio tão diferente. Mas eu imagino a situação de alguém que vai para um país como a China ou Oriente Médio, por exemplo. Você tem que estar aberto a aceitar a cultura local. E é um intercâmbio em que você não está na casa da “mãe” em outro país (como nos intercâmbios familiares em que você vai para uma casa de uma família) onde teria um suporte especial.

Prof. Ricardo: São desafios culturais mesmo. Só para fechar, no ano passado eu estive numa missão em Dubai, Emirados Árabes. Aí você visita uma universidade que só mulheres frequentam, homem não pode entrar. Minha presença lá já era uma presença absurdamente estranha. Entrei na universidade… fui muito bem recebido, fui conversar com a diretora. Grande parte das professoras são norte-americanas e foram pra lá para ganhar muito bem como professoras, diretora. Para elas é um mercado altamente cobiçado. No entanto, os limites que se colocam na Zayed University, que é uma universidade bem tradicional em Dubai e Abu Dhabi que fica no meio do deserto, são vários. A diretora me fez uma pergunta: “como é que a Zayed vai fechar um convênio com a USP? Eu não posso mandar minhas alunas para lá, porque elas têm limites, elas terão que usar uma roupa especial para ir pra lá. A USP está preparada para aceita a minha aluna? Da mesma forma, eu não vou poder receber seu aluno aqui e muito provavelmente nem a sua aluna, e como vai ser a adaptação dela com essas meninas falando árabe?” (boa parte das aulas lá não são em inglês). Então, é possível fechar um acordo de cooperação com essa escola pensando em alternativas como aulas especiais à distância, e criando outras estratégias e outras usando outras ferramentas. A gente não precisa fechar no modelo clássico, mas temos que estudar outras formas de intercâmbio que não necessariamente exija a presença do aluno naquela realidade, por conta de limites estabelecidos culturalmente. Esse exemplo de Dubai é o exemplo mais claro que eu vejo sobre esse assunto. Sem dúvida é o mais claro.

Gabriela (petiana): Agora que começou o edital de mérito acadêmico e o outro que eu não me lembro bem o nome, mas que é de empreendedorismo …

Prof. Ricardo: Isso, o edital de empreendedorismo.

Gabriela (petiana): Todos os editais que saírem na USP a partir de agora, vão ser neste formato?

UVINHA: Não faço a menor ideia.

TODOS: Risos

Prof. Ricardo: Quem pode responder isso é só a Reitoria. Eu tenho me informado com outros Presidentes de CRInt e todos nós temos a enorme expectativa que tudo isso tenha continuidade. A tendência, pela atenção que a USP está dando para crescer no ranking, é de continuar, e continuar com mais vagas. Mas não sei… pode ser que isso não ocorra. Pode ser que mude a gestão e aí mude as políticas… não sei. Pode acontecer … a gente nunca sabe como a universidade vai se comportar, então a gente está a mercê de uma ordem superior. Não é a CRInt EACH que faz as regras.

PET-SI: Prof. Ricardo, tem alguma coisa que o senhor queira destacar?

UVINHA: Quero agradecer o convite de vocês porque eu sinto que é uma deferência até para a internacionalização. Não que nós estejamos esquecidos, nós estamos sendo lembrados o tempo todo, eu como presidente da CCRInt já me reuni com a CG inteira para falar da metas, já me reuni com a CPG e todos os coordenadores de pós da escola, já me reuni com a CCEX que cuida de cultura e extensão, sou membro da CPQ e sou membro da Congregação, já me reportei à Congregação várias vezes, então eu tenho procurado articular. Mas o convite que eu recebi de vocês é um convite muitíssimo especial, tão importante quanto o de qualquer outra comissão estatutária. Então quero agradecer o convite de vocês e espero que tenha sido de utilidade minha vinda pra cá e deixar não só eu, mas também o Marcelo e o Leandro em especial (que estão lá no dia a dia, resolvendo as “buchas”) à disposição de vocês. Não hesitem em mandar e-mails para eles. Eles vão demorar talvez um dia para responder, mas respondem. Qualquer dúvida e qualquer necessidade que vocês tiverem, não deixem de entrar em contato com a gente. E desejo longa vida ao PET, aproveitem bastante esta experiência e, parabéns, Sara, pela liderança que você tem com relação a esse projeto.